Maria Salete Vaz
23 Março, 2010

Embalados na existência aquática

Actualmente a ideia de que o psiquismo do ser humano ficava operacional com o nascimento, já não se aplica. A psicologia tem um ramo novo, que estuda e investiga o comportamento emocional do feto.

O avanço tecnológico, permitiu verificar e observar, através das ecografias e outros exames (tridimensionais) uma análise mais detalhada do comportamento do embrião, do feto, durante o seu desenvolvimento físico-emocional.  Constatou-se que não apenas o trauma do nascimento marca inconscientemente o indivíduo para sempre, como também o modo como o feto percebe suas experiências pre-natais. Moratelli, um grande investigador nesta área, refere que a vida psíquica não se inicia com o nascimento, porém é uma continuidade da vida intra-uterina.

A VIDA DO FETO NO INTERIOR DO ÚTERO MATERNO É CONSIDERADO UM PROCESSO INICIAL DE APRENDIZAGEM.

Wilheim  estudou a vida do feto no ambiente intra-uterino e constatou que o mesmo pode perceber o som, engolir, sonhar, reconhecer a voz da mãe e apresentar um comportamento inteligente.

Neste ambiente, o feto, através do tacto que a pele proporciona ”sente” o liquido amniótico que o envolve e protege, percebe a existência das paredes do útero, sua textura e maciez. O cordão umbilical representa o primeiro elemento lúdico, estimula, protege e nutre o organismo, em dimensões que transcendem o nível apenas de desenvolvimento físico/biológico. Estimulam as percepções de algo externo ao mundo interno do feto.

As situações de stress que o feto se depara são captadas através dos órgãos do sentido, que já estão formados a partir do terceiro mês de gestação. Através da audição, olfacto, visão, tacto e gustativos, o feto percebe o seu mundo interno e externo e reage.

De acordo com estes investigadores,  aos 6 meses, o feto começa a mostrar sinais de personalidade individual. Ele tem padrões definidos de sono e vigília, tem uma posição predilecta no útero e torna-se mais activo – chutando, espichando e encolhendo-se.

Aos 7 meses, entre outras coisas, já chora, engole e suga o polegar.

A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO MÃE/FETO

Os chineses, há milénios, foram os primeiros a desenvolverem programas pre-natais e defendiam que as emoções das futuras mães influenciariam no desenvolvimento do feto. Seus programas pre-natais buscavam a harmonização de trocas de energia físicas e psicológicas, mãe/feto, afim de prevenir doenças.

Desde o momento da concepção, o feto é portanto um ser humano em desenvolvimento. Ele está em comunicação inconsciente com a mãe. Os estados emocionais desta, assim como os acontecimentos que ocorrem, marcam a sua vida psicológica.

Estudos efectuados por Piontelli  e Busnel referem ser a disponibilidade afectiva da mãe, o mais importante para o feto. O vínculo positivo com a mãe, colabora com a possibilidade do feto livrar-se das impurezas e toxinas e com isso, aprimorar-se no seu desenvolvimento psico-afectivo de célula a embrião, de embrião a feto, de feto a bebé e de bebé a criança…

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  • Conceição Vieira
    24 Março, 2010

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